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Artigos / Lucimara Chiari

A Pecuária na era da transformação digital

06 Jul 2020 - 07:30

A transformação digital representa a introdução de uma série de tecnologias chamadas disruptivas, ou seja, que tem a capacidade de romper com os padrões e modelos estabelecidos transformando nosso estilo de vida, tais como big data, cloud computing, blockchain, computação cognitiva e internet das coisas (IoT). Envolve uma mudança no comportamento das pessoas e o surgimento de um novo valor moral (a "liberdade de informação") e possibilita o estabelecimento de parcerias e negócios por meio de novos ecossistemas e a criação de sistemas cognitivos e autônomos.

Na pecuária essas tecnologias disruptivas podem ajudar o produtor rural em várias atividades do seu dia a dia, tais como controle do rebanho; manejo sanitário, reprodutivo e nutricional dos animais; produção de forragens; gerenciamento da sua fazenda e do seu negócio como um todo. Numa rápida busca é possível encontrar várias tecnologias digitais com grande potencial de transformar completamente processos produtivos tradicionais da pecuária. Entre essas novidades estão sensores de movimento e de comportamento dos animais; chips de identificação menores e mais potentes; cochos e balanças automáticos; além de uma diversidade de aplicativos desenvolvidos para tablets e smartphones que auxiliam os produtores na tomada de decisão sob diferentes aspectos do seu negócio. 

Neste sentido, a Embrapa juntamente com parceiros públicos e privados vêm atuando fortemente no desenvolvimento de dispositivos de hardwares e softwares para incremento da competitividade da cadeia produtiva da carne bovina, dentro de um conceito de Pecuária de Precisão, que reuni automação e tecnologias da informação e comunicação (TICs). Cito aqui alguns exemplos de sucesso desenvolvidos em cooperação pela Embrapa Gado de Corte e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS com parceiros privados.

Balança de passagem – BalPass, sistema automático de pesagem em campo com envio remoto de dados que possibilita ao produtor o acompanhamento da curva de ganho de peso dos animais. A BalPass foi desenvolvida numa cooperação pela Embrapa Gado de Corte, UFMS e COIMMA.

BEP - Bovine Electronic Plataform, plataforma eletrônica que possibilita o monitoramento da saúde e bem-estar de bovinos nos diversos sistemas de produção. A BEP é constituída por um dispositivo vestível (não invasivo), um tablet ou smartphone e uma plataforma web. Foi desenvolvida numa cooperação pela Embrapa Gado de Corte, UFMS e a startup Indext.

Vários aplicativos também foram desenvolvidos no âmbito da parceria entre a Embrapa Gado de Corte e a UFMS, tais como o $uplementa Certo, Pasto Certo, Cria Certo, CustoBov, GerenPec e ControlPec. Todos esses aplicativos estão disponíveis no Google Play para equipamentos com sistema operacional Android e alguns deles também estão disponíveis para iPhones e iPads na Apple Store.

Mais recentemente, a Embrapa Gado de Corte e UFMS trabalham juntas num conceito que vai além do desenvolvimento de TICs, o "Smart Livestock: Ecossistema Digital da Pecuária" que visa viabilizar e integrar soluções digitais por meio da articulação com parceiros da iniciativa pública e privada, fomentando a criação de negócios para a verdadeira transformação digital da pecuária. Os desafios inerentes ao conceito de Smart Livestock incluem a necessidade de adequar novos processos de negócio para possibilitar desenvolver soluções de TI em parceria com a iniciativa privada e transferi-las com a agilidade e a eficiência do mercado de vanguarda tecnológica. Para saber mais acesse: https://project.cnpgc.embrapa.br/marketplace/about/

Esses são apenas alguns exemplos “de casa”, mas existem muitas outras tecnologias que estão levando a transformação digital à pecuária e empoderando cada vez mais as pessoas dentro das fazendas, possibilitando que elas tomem decisões mais assertivas. 

Entretanto, ainda há muitos desafios a vencer para a verdadeira transformação digital da pecuária e que vão além daqueles inerentes a qualquer outra tecnologia, como robustez e custo de desenvolvimento, mas também aqueles relacionados à conectividade no meio rural. O que eu quero dizer com isto é que para o uso adequado dessas tecnologias os produtores precisarão de uma conectividade maior que a que temos hoje na grande maioria das áreas rurais do país, para possibilitar o envio de um grande volume de dados para os processadores e assim obter as respostas em tempo real para a sua tomada de decisão. Iniciativas do governo federal junto à iniciativa privada já estão em curso, mas ainda é difícil prever quando teremos as fazendas digitais no Brasil.
Lucimara Chiari

Lucimara Chiari

Possui graduação em Ciências Biológicas (Licenciatura e Bacharelado) pela Universidade Estadual de Londrina (1996), mestrado em Genética e Melhoramento na mesma instituição (1999) e doutorado em Genética e Melhoramento pela Universidade Federal de Viçosa (2003).

Foi bolsista recém-doutor do CNPq na Universidade Federal de Minas Gerais (2003-2004) e bolsista de desenvolvimento científico regional CNPq/FUNDECT na Embrapa Gado de Corte (2004-2006), onde recebeu dois prêmios pelos trabalhos realizados no gênero Stylosanthes.

Em novembro de 2006, passou a integrar o quadro de pesquisadores da Embrapa, lotada na Embrapa Gado de Corte, atuando na área de Biotecnologia de Plantas Forrageiras. Atualmente, é Chefe-Adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Gado de Corte (2014-atual) e Presidente do Comitê Técnico Interno - CTI (2014-atual) e do Comitê Local de Publicações (2020-atual) da Unidade.

 Participou e ainda participa de várias comissões e comitês internos: Comitê Técnico Interno (2009-atual), Comitê Local de Publicação (2008-2010 e 2014-atual); Comissão Interna de Biossegurança (2007-2019); e Comitê Local de Propriedade Intelectual (2014-atual). No âmbito da Embrapa, foi membro do Comitê de Avaliação de Desempenho Institucional, ano base 2016; Comitê de Avaliação de Desempenho Institucional, ano base 2017; e do Comitê de Avaliação das Agendas de Destaque em PD&I de 2018.

Externamente à Embrapa, participa como membro titular da Comissão Nacional de Pecuária de Corte da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil); membro titular do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (CMCTI) em Campo Grande-MS; membro suplente do Conselho Superior do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (COSUP); e membro suplente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS) em Campo Grande-MS.

Na pesquisa, lidera o projeto Genômica Funcional e Estrutural de Espécies Forrageiras Tropicais, aprovado no Sistema Embrapa de Gestão (SEG), e participa ativamente de outros oito projetos em andamento, aprovados no âmbito do SEG e de outras instituições de fomento a CT&I. Principais instituições nacionais parceiras: UNIPASTO, Unicamp, UFMS e UFGD.

No âmbito internacional, foi líder de um projeto de Cooperação Internacional Embrapa/INTA (Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria) (2012-2015) e possui parceria em andamento com o Japan International Research Center For Agricultural Sciences (JIRCAS), desde 2014; também atuou em parceria com o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT). Atua como colaboradora do curso de doutorado em Biotecnologia e Biodiversidade da Rede Pró-Centro Oeste; coorientou alunos de pós-graduação na UNICAMP, UFMS, UNESP-Jaboticabal e UEM; e de graduação na UFMS, UFGD, UCDB e UNIDERP-ANHANGUERA.

Atua como consultora ad hoc de projetos de PD&I na Embrapa e em fundações de amparo a pesquisa: Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul ? FUNDECT; Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do estado de Santa Catarina ? FAPESC; Fundação de Apoio a Pesquisa do Distrito Federal ? FAPDF; e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ? FAPESP; e também atua na revisão de artigos técnicos-científicos para as revistas Ciência Rural e African Journal of Agricultural Research, além das publicações da Série Embrapa.

Contribuiu com mais de 200 publicações técnico-científicas: artigos em revistas indexadas, capítulos de livro, resumos simples e expandidos em anais de congresso, além de outros tipos de publicações como as da Séri
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