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Artigos / Xico Graziano

O agro é uma chave para o futuro

09 Jul 2020 - 11:17

Está aumentando a importância da agropecuária na economia brasileira. O fato contraria a teoria clássica. Pois em vez de significar uma volta ao passado, o Brasil encontrou no agro um caminho para o futuro.
 
Dois indicadores macroeconômicos comprovam a valorização recente do agro nacional: o desempenho das exportações e o crescimento do PIB setorial.
 
As exportações oriundas do agronegócio somaram US$ 31,4 bilhões no 1º quadrimestre de 2020, acréscimo de 5,9% sobre igual período de 2019. Considerando-se a média dos quatro primeiros meses, as exportações do agro representam 46,6% da exportação total do país. Em maio, somente, essa fatia de participação alcançou 55,8%. Incrível.
 
Por sua vez, as importações do setor de agronegócio caíram 4,5% no quadrimestre, somando US$ 4,57 bilhões. Resultado: o agronegócio gerou superávit na balança comercial de US$ 26,83 bilhões nos primeiros quatro meses de 2020. A receita do agro paga as compras externas do país.
 
Quanto à geração de valor, os estudos do Cepea-USP mostram que, no ano de 2019, o PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio subiu 3,81%. No mesmo período, anual, segundo o IBGE, o PIB brasileiro total cresceu apenas 1,1%. O agronegócio empurrou a economia nacional.
 
Nesse 1º trimestre de 2020, o PIB do agronegócio continuou crescendo, chegando a 3,29%, comparado com o mesmo período de 2019 (Cepea-USP). Já o PIB nacional caiu 0,3% (IBGE). Esses dados indicam que está crescendo a participação do agronegócio no PIB total do Brasil. Em 2019, o PIB do agronegócio sobre o PIB brasileiro cravou 21,4%. Esta é a fatia da riqueza brasileira gerada a partir da produção rural.
 
Mas, atenção: falar em "agronegócio" significa considerar todo o complexo, ou seja, a soma das cadeias produtivas situadas antes, dentro e depois da porteira das fazendas. E não a produção rural per si. É fundamental entender esse ponto. A importância da agropecuária não se mede mais, como no passado, apenas pela atividade econômica existente dentro das propriedades rurais. O conceito de agronegócio é mais abrangente. Mais moderno e correto.
 
Na metodologia do Cepea-USP, o agronegócio está composto por quatro segmentos produtivos relacionados entre si, cujas participações são (2019): Insumos (rações, fertilizantes, máquinas, defensivos, medicamentos), com peso de 6%; Primário (lavouras e pecuária), com peso de 22%; Indústria (frigoríficos, lacticínios, usinas de açúcar, celulose, torrefação de café, etc), com peso de 30%; e Agrosserviços (assistência técnica, transporte de cargas, varejos, restaurantes, finanças, propaganda, exportação, etc), com peso de 42%.
 
Resumindo, para fixar o conceito: a produção rural, propriamente dita, representa apenas 22% do valor agregado do agronegócio. O processamento industrial e os setores de serviços, relacionados ao agro, preponderam, com 72% do agronegócio.
 
Percebam que exclusivamente o setor primário rural, aquele praticado dentro das fazendas, tem baixa participação no PIB nacional, ao redor de 4,7% (basta multiplicar 0,22 por 21,4%). Quando, todavia, considera-se a somatória de atividades que dependem da produção rural, ou são por estas movimentadas, fica claro que a agropecuária tecnológica dinamiza e multiplica a renda de vários setores econômicos. Gera renda e empregos espalhados pelo país.
 
Esse raciocínio, fundamentado nas variáveis macroeconômicas, vislumbra que o agronegócio poderá se tornar o maior negócio do Brasil. Fará parte do modelo de desenvolvimento. Participará do núcleo da política econômica.
 
Acreditem. Descubram. O agro é uma chave para o futuro.
Xico Graziano

Xico Graziano

Francisco Graziano Neto, Xico Graziano. É Engº Agrônomo (ESALQ/USP, 1974), Mestre em Economia Agrária (USP, 1977), Doutor em Administração (FGV/SP, 1989).
Presidente da ONG AgroBrasil – Valorização dos Agronegócios, é consultor em organização e marketing rural, comentarista de rádio e TV, articulista dos jornais O Estado de S. Paulo, O Globo (RJ) e O Tempo (MG). Secretário- Executivo do ITV- Instituto Teotônio Vilela, ocupa a 2ª suplência da Bancada do PSDB na Câmara Federal.

Foi Deputado Federal (1998-2002), Secretário de Agricultura de São Paulo (1996-98), Presidente do Incra (1995) e Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente Fernando Henrique Cardoso (1995). Presidiu a Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (1972-73) e a Cooperativa de Crédito Mútuo de Jaboticabal/Unesp (1988-90).

Professor da Unesp (1976-92), conferencista e escritor, publicou sete livros: A Questão Agrária e a Ecologia (1982), A Tragédia da Terra (1992), O Real na Estrada (1995), Qual Reforma Agrária? (1996), O Paradoxo Agrário (1999), Juventude Consciente (2002) e O Carma da Terra no Brasil (2004)..
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