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Artigos / Fernando Mendes Lamas

Desempenho da agricultura brasileira durante o primeiro ano da Covid-19

01 Abr 2021 - 07:15

A pandemia do Coronavírus teve início durante a colheita da safra de verão 2019/2020 e início da implantação da safra de outono inverno (safrinha) de 2020. Ambas as safras foram concluídas, porém não podemos dizer que normalmente, pois a tensão era grande.

Em outubro de 2020, iniciou-se uma nova safra de verão, com alguns percalços em decorrência da irregularidade na distribuição de chuvas, mas com resultados que podem ser considerados bons. A exceção ocorreu nos estados de Tocantins, Mato Grosso e Paraná, onde as chuvas dificultaram a operação de colheita e atrasaram a semeadura do milho segunda safra (safrinha).

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a safra de grãos de 2020/2021, deverá ser de 272,3 milhões de toneladas, 6% maior que a anterior.  A grande surpresa é o preço dos principais produtos agrícolas. O preço do algodão teve um incremento da ordem de 47,0%, o do milho de 39,4%, da soja foi de 40,5% e a arroba do boi gordo aumentou 33,5%. Essas altas de preços devem-se fundamentalmente ao aumento da demanda interna e externa.

O ano de 2020, foi particularmente importante para o setor agropecuário brasileiro. Enquanto o crescimento do PIB total do Brasil foi negativo, o da agropecuária apresentou crescimento de 24,2% em relação a 2019, alcançando a participação de 26,6% do PIB total, de acordo com os dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O bom resultado da colheita para a maioria dos produtos e regiões do Brasil, associado aos preços remuneradores, têm incentivado os produtores a modernizarem os processos produtivos, com a utilização de plantas de cobertura objetivando a melhoria e ou a manutenção da qualidade do solo. Cabe destacar, também, o avanço da incorporação da agricultura digital, proporcionando a otimização das operações agrícolas e da logística de todo o processo. 

Embora a pandemia do coronavírus tenha provocado significativas mudanças nos hábitos e costumes da população mundial, a demanda por alguns produtos como algodão, celulose, carnes e açúcar, aumentou consideravelmente. A exportação brasileira de carne bovina, aumentou 8% em 2020 e a de suínos 36,1%, em relação a 2019. Os produtores tiveram que ajustar suas práticas de produção, incorporando medidas de biossegurança, para minimizar as consequências de eventual ocorrência da doença entre os seus colaboradores.

Em virtude do momento favorável à produção agrícola, em diversas regiões onde havia predomínio da agricultura, observa-se o aumento da integração lavoura-pecuária. Esse modelo de produção confere maior dinamismo à atividade agrícola, com melhor aproveitamento dos recursos e, por conseguinte, aumento da produtividade.

O conjunto das transformações que estão ocorrendo na agricultura brasileira coloca o Brasil numa posição de destaque na produção de alimentos, fibras e energia. Para que possamos continuar ocupando essa posição, tanto no mercado interno, quanto no mercado externo, é preciso atenção também com a qualidade dos produtos, devido aos compradores estarem cada vez mais exigentes.

Assim, tão importante quanto a produtividade é a qualidade do produto, podendo não encontrar mercado, caso não atenda esse quesito. Também passa a ser considerado no momento da comercialização, as condições de produção, como o atendimento das questões de bem-estar animal para a produção de carne. Assim, a rastreabilidade ganha contornos cada vez mais sólidos e para vários produtos.

Em síntese, observa-se que durante o ano de 2020, primeiro ano da pandemia, a agricultura brasileira avançou tanto nos aspectos quantitativos quanto nos qualitativos da produção, contribuindo para com a economia nacional, especialmente à crescente participação dos produtos agrícolas nas exportações.
Fernando Mendes Lamas

Fernando Mendes Lamas

É Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal de Viçosa (1978), mestrado em Fitotecnia (Produção Vegetal - Manejo do Algodoeiro) pela Universidade Federal de Viçosa (1988) e doutorado em Agronomia (Produção Vegetal - Reguladores de Crescimento) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Campus de Jaboticabal, SP (1997).

É pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Manejo e Tratos Culturais, atuando principalmente nos seguintes temas: algodoeiro, sistema plantio direto, sistema de produção e regulador de crescimento, atuando em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. Foi Secretário de Estado de Produção e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul de fevereiro de 2015 a março de 2017.
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