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Agronegócio e a ciência de dados

04 Fev 2020 - 09:14

Agronegócio e a ciência de dados

Agronegócio e a ciência de dados

Foto: Imagem/LinkedIn

Falar de transformação digital no campo não se trata mais de equipar as fazendas com maquinário pesado integrado com computador de bordo e monitoramento por satélite, ou a instalação de estações meteorológicas em variados pontos da fazenda. Caso toda essa alta tecnologia já embarcada nas máquinas e demais equipamentos utilizados nas propriedades rurais brasileiras não estiverem conectadas de maneira inteligente, não se atingirá a equação “maior produtividade e menor custo”, como se espera.

O termo Big Data, utilizado para definir um sistema de armazenamento que gera informações relevantes a partir da análise de um grande volume de dados, já é de conhecimento do produtor rural brasileiro. Conhecem, sobretudo, aqueles que tornaram sua atividade um negócio sucessório e, cada vez mais, ganhador de escala nos cenários nacional e mundial. Vive-se, também no agronegócio, a era do algoritmo, da robótica, da máxima conexão, da realidade virtual e da inteligência artificial como estratégias de facilitação nos processos de tomada de decisão.

Levando-se em conta o desafio do setor, cuja expectativa é que esteja alimentando, até 2050, quase 10 bilhões de habitantes – população estimada para o Planeta –, tornar os processos de produção e todas as cadeias que os envolvem mais eficientes requer ainda mais inovação. Somente através de soluções tecnológicas que promovam inteligência a partir da conexão de dados é possível atingir eficiência máxima, otimização de processos e eliminação de desperdício nas atividades rurais.

Outro termo que começa a ser conhecido e experimentado no setor é a Internet das Coisas (IoT – Internet of Things), cuja tarefa é promover o que seu próprio nome já diz, conexão de todas as coisas através da instalação de sensores. Seu emprego nas atividades agropecuárias pode gerar, em tempo real e por longos períodos, informações que venham a alimentar o Big Data. O IoT tem apresentado uma nova forma de solucionar os desafios diários enfrentados pelo produtor, seja mantendo um controle dos processos, seja gerando alertas sobre pontos importantes que antes passavam despercebidos, já que, em muitos casos, havia a necessidade da presença e do acompanhamento constante, o que nem sempre era possível.

Já existem estudos que apontam uma ampliação próxima de 15% em produtividade e rentabilidade por hectare a partir da adoção de estratégias de IoT no monitoramento das lavouras. Essa constatação resulta em aumento de competitividade econômica para aqueles que as adotam justamente por aproveitarem melhor os recursos disponíveis com o uso racional, inclusive os naturais, traduzindo em atividades mais sustentáveis, caminho sem volta para a humanidade que busca uma melhor qualidade de vida.

Tantas estratégias tecnológicas pensadas para o setor não poderiam se distanciar daquilo que ficou conhecido como inteligência artificial, que é o desenvolvimento de algoritmos inteligentes capazes de raciocinar, aprender, tomar decisões e resolver problemas no lugar do ser humano. Essa inovação já pode ser adotada no campo a partir da instalação de softwares que trocam informações como máquinas e com o próprio produtor, auxiliando-o a tomar a melhor decisão.

Fazer essas inovações chegarem aos produtores e a todos os demais envolvidos nesse ecossistema demanda conhecimento das tecnologias disponíveis e, sobretudo, um profundo entendimento dos desafios e dores do campo. Já não há mais dúvida de que somente através da inovação e da transformação digital será possível atingir novos saltos de produtividade e redução de custos no agronegócio. Diversos setores estão sendo impactados pela era que estamos iniciando, em que o domínio da ciência de dados será tão importante quanto ter as melhores propriedades e fontes de recursos disponíveis.
Wagner Figueredo

Wagner Figueredo

Wagner Figueiredo é diretor de Automação e Segurança na Ausec, Cuiabá, Mato Grosso.
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