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Agro Sertanejo: Jovens peões disputam rodeio de Barretos de olho na conquista do 'sonho americano'

25 Ago 2017 - 17:25

Agro Sertanejo: Jovens peões disputam rodeio de Barretos de olho na conquista do 'sonho americano'

Foto: (Foto: Érico Andrade/G1)

Como os jogadores de futebol, todos os anos dezenas de jovens peões disputam o rodeio de Barretos com um pensamento: ser campeão e fazer uma carreira internacional. Isso significa ir para os Estados Unidos, onde estão os rodeios mais rentáveis do mundo, e conquistar a América.

Um dos caminhos para se chegar lá é o campeonato brasileiro de montaria em touro da PBR, que garante uma vaga para a Global Cup, uma disputa com campeões de outros cinco países – do Canadá, México, EUA, Austrália e Nova Zelândia, que este ano será realizada no Canadá; e também é a porta de entrada para o campeonato mundial, realizado no Texas (EUA), que oferece um prêmio de US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 5 milhões) para o campeão.

Destaque internacional

Os peões brasileiros são destaque nas competições internacionais. O Brasil tem os dois únicos tricampeões mundiais e detém nove dos 23 campeonatos disputados até hoje conquistados por cinco peões: Ednei Caminhas (2002), Adriano Moraes (1994, 2001 e 2006), Guilherme Marchi (2008), Renato Nunes (2010) e Silvano Alves (2011, 2012 e 2014).

Atulamente, Kaíque Pacheco, Fabiano Vieira e Eduardo Aparecido ocupam três das 10 melhores posições no ranking da temporada.

O sucesso dos brasileiros lá fora estimulou muitos garotos a entrar para o rodeio em busca de dinheiro e fama. Mesmo se não vencer o mundial, um bom desempenho do peão pode garantir uma carreira nos rodeios internacionais, que pagam prêmios bem mais altos do que os brasileiros.

“O Brasil é o celeiro de novos competidores do circuito americano, supera o número de revelações de todos os outros países”, diz o diretor de rodeio da PBR no Brasil, o tricampeão mundial Adriano Moraes.

A nova revelação

Agora, é a vez de o estreante José Vitor Leme realizar o sonho de ser revelação na PBR americana e fazer a fama como peão internacional. Aos 21 anos, recém-completados, ele venceu o campeonato brasileiro, neste domingo (20), e carimbou o passaporte para os Estados Unidos.

Leme entrou para o mundo dos rodeios há três anos influenciado pela trajetória do pai, que também foi peão, e pelos brasileiros que se tornaram campeões mundiais dos quais agora será colega. “Eu assistia e torcia por eles pela TV e era muito fã e não imaginava que ia chegar lá tão rápido”, conta.

Ele não sabe como vai ser sua vida quando chegar aos EUA, nem como irá conduzir sua carreira internacional. “Eu não pensei muito ainda, não quero atropelar, vou dar um passo de cada vez”, diz. Mas já conta com o apoio de muitos companheiros que já estão vivendo o sonho americano. “Tenho amigos que moram lá e me passam muitas informações. Eles não veem a hora de ir para lá”, completa.

Sonho adiado

Mas outros peões não tiveram a mesma sorte de Leme e terão que adiar os planos de uma carreira internacional. Em seu primeiro ano na PBR, Lucas Divino viu seu sonho escapar pelas mãos na final da montaria em touro. O jovem de 23 anos foi um dos destaques da competição desse ano e chegou à disputa da etapa final, em Barretos, em segundo lugar, mas caiu do touro logo na primeira montaria da noite, perdendo a chance de brigar pelo título.

A queda atrapalhou o sonho de melhorar de vida. Peão desde os 16 anos, Divino entrou na profissão para ajudar na sobrevivência da família e as oportunidades financeiras que poderia conseguir nos Estados Unidos seriam a realização do seu objetivo. “É um sonho de quem almeja grandes valores, tanto de dinheiro como de reconhecimento dos competidores. É difícil chegar a final com chances e não realizar. É um sonho que eu tenho desde pequeno, fico imaginando chegar ao ponto de ser campeão mundial”, diz.

Junior Quaresma, outro destaque deste ano também terá que esperar para conquistar a América. Competidor experiente, já ganhou um carro e cinco motos em alguns rodeios pelo Brasil, mas nem todos os prêmios e títulos chegam perto do de campeão mundial. “É outro mundo, outro tipo de vida. A gente tem que ir para conhecer”, afirma.

Para Adriano Moraes, os peões brasileiros não têm vontade de se tornarem cidadãos americanos, mas ganhar fama e dinheiro para melhorar de vida. “Eles pensam em ir lá [nos EUA], ganhar dinheiro para mandar para a família, voltar para cá e viver bem”, afirma.

globo.com

 
 
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