Terça-feira, 29 de setembro de 2020
informe o texto a ser procurado

Notícias / Agro Sertanejo

Agro Sertanejo: Depois de Gisele Bündchen, agora é Ivete Sangalo que critica extinção de reserva na Amazônia

26 Ago 2017 - 12:26

Depois de Gisele Bündchen criticar o governo Temer sobre um decreto que extingue a Reserva Nacional de Cobre e Associadas, na Amazônia, foi a vez de Ivete Sangalo usar as redes sociais para manifestar seu desagravo com a medida.

"Quanta notícia difícil de aceitar. Brincando com o nosso patrimônio? Que grande absurdo. Tem que ter um basta", escreveu a cantora baiana em seu perfil na rede social Instagram.

Na última quarta-feira, o presidente Michel Temer editou decreto que extingue a reserva de 47 mil quilômetros quadrados na Amazônia, uma área equivalente ao Estado do Espírito Santo, rica em cobre e outros minerais. Localizada entre os Estados do Pará e do Amapá, a reserva havia sido instituída em 1984.

Segundo o texto do decreto, a extinção da reserva “não afasta a aplicação de legislação específica sobre proteção da vegetação nativa, unidades de conservação da natureza, terras indígenas e áreas em faixa de fronteira”.

Um dia depois, a modelo Gisele Bündchen usou o Twiter para se manifestar contra a medida. "Vergonha! Estão leiloando nossa Amazônia!", escreveu. "Não podemos destruir nossas áreas protegidas em prol de interesses privados", disse Gisele na rede social. A publicação da modelo, no início da tarde de quinta-feira, teve mais de 1,2 mil curtidas. 

WWF. De acordo com o diretor executivo da ONG WWF-Brasil, Maurício Voivodic, a medida pode colocar em risco áreas protegidas, podendo provocar impactos irreversíveis ao meio ambiente e povos da região. “Além da exploração demográfica, desmatamento, perda da biodiversidade e comprometimento dos recursos hídricos, haverá acirramento dos conflitos fundiários e ameaça a povos indígenas e populações tradicionais”, disse, em texto publicado no site da instituição.

A reserva do cobre foi criada por meio de um decreto publicado em 24 de fevereiro de 1984. Numa canetada, o presidente militar João Figueiredo esquadrinhou uma área de mata fechada com oito vezes a dimensão do Distrito Federal. O plano dos militares era explorar, por meio de uma estatal, grandes jazidas de cobre encontradas na região, mineral extremamente valorizado à época por conta das atividades do setor elétrico. Ocorre que esse plano nunca saiu do papel. Passados 33 anos desde a criação da reserva, o que de fato se criou sobre essas terras foram delimitações de sete florestas protegidas e duas terras indígenas, cobrindo praticamente 80% de toda a área.

A área engloba nove áreas protegidas: o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, as Florestas Estaduais do Paru e do Amapá, a Reserva Biológica de Maicuru, a Estação Ecológica do Jari, a Reserva Extrativista Rio Cajari, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru e as Terras Indígenas Waiãpi e Rio Paru d’Este. De todas essas unidades e terras indígenas, apenas uma pequena parcela da Floresta Estadual Paru prevê atividades de mineração.

Estadão Conteúdo

 
 
Sitevip Internet