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Violência avança no campo enquanto a segurança esbarra até na falta de estatísticas

Estudo especializado da CNA aponta que, em muitos casos, os estados não sabem diferenciar sequer se o caso ocorreu na cidade ou na área rural

11 Mai 2018 - 08:31
Atualizada em 18 Abr 2019 - 11:18

Violência avança no campo enquanto a segurança esbarra até na falta de estatísticas

Foto: Ilustração/Internet

Após levantamento feito durante todo ano de 2017 junto a produtores de todo país, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou em Brasília um estudo que sugere, dentre outras medidas, a criação de delegacias especializadas no combate a crimes no meio rural.

O documento “Estudo sobre a Criminalidade no Campo” foi entregue em mãos ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pelo presidente da CNA, João Martins. Em seguida, Martins cobrou apoio do Poder Público.

“O campo, que no passado as famílias podiam ir pra propriedade, onde as pessoas tinham segurança de que não haveria roubo de máquinas, animais, fertilizantes, não existe mais. O que estamos vendo hoje é um verdadeiro massacre”, afirmou.

Secretário-executivo do Instituto CNA (que elaborou o estudo), André Sanches explica que a demanda partiu da ausência de dados públicos. “Buscamos dados oficiais junto às secretarias de segurança pública, mas para a nossa surpresa a maioria não tem informações consolidadas. Muitas sequer diferenciam crimes em áreas urbanas e rurais”, disse à reportagem. A partir disso, a entidade buscou realizar uma pesquisa independente.

Observatório da Criminalidade

Há duas maneiras de participar do levantamento da CNA sobre criminalidade no campo, que continuará ativo. A primeira delas é enviar relatos por meio do Observatório da Criminalidade na página da CNA na internet. Outra é denunciar pelo Whatsapp da CNA, pelo telefone: (61) 99834-7773. Em ambos os casos identidade do cidadão é mantida em sigilo.

Crimes em áreas rurais

Ao todo, mais de 150 amostras foram coletadas pelo Instituto CNA em 17 estados através do Observatório da Criminalidade no Campo, criado em 2017. Os furtos representaram 49% dos crimes ocorridos, seguidos por roubos (33%), depredação (12%), assassinatos (3%) e queimas (3%).

Como explica a pesquisa, apenas 11 unidades federativas (entre os 26 estados mais o Distrito Federal) enviaram algum tipo de dado por meio da secretaria de segurança pública. Os principais registros, a exemplo da pesquisa da CNA, referem-se a furtos e roubos.

“São roubos de medicamentos veterinários, gado, agroquímicos, entre outros. Muitas vezes, são produtos de pouco volume e muito valor, já que um galão de três litros de herbicida pode chegar a R$ 5 mil. Houve casos de roubo logo na chegada dos produtos em cooperativas”, revela Sanches. “Inclusive sugerimos que grandes conglomerados de produtores e cooperativas informem à polícia quando irá acontecer a chegada desse produtos”, completa.

Roubos perto da cidade

O secretário-executivo do Instituto CNA destaca que uma surpresa foi a localização dos roubos: a maioria dos casos acontece a menos de 50 km da sede do município.

“Podem até ser roubos de oportunidade, mas podemos estimar que as ações são de quadrilhas especializadas em roubo de implementos e produtos agrícolas”, diz. Em um caso, um caminhão ‘encostou’ do lado da fazenda para roubar 200 sacas de café.


Medidas sugeridas

O estudo da CNA sugere 12 propostas. Uma das mais importantes, afirma André Sanchez, é a padronização do relato de ocorrências, para que seja fácil verificar os tipos de roubo, a localização, o perfil das ocorrências, além do tamanho das propriedades que costumam ser assaltadas.

Outra sugestão é a presença de delegacias especializadas em ocorrências no campo. “Isso já existe no Rio Grande do Sul e está surtindo resultados, com a diminuição dos casos”, afirma Sanches. Neste sentido, a CNA sugere a criação de uma ouvidoria nacional. Além disso, o representante da entidade pede mudança da legislação, aumentando a pena para receptadores de produtos roubados.

Gazeta do Povo

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