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Após investigação do Ibama, empresa de Celulose perde selo mundial

Empresa foi punida por causa da comercialização indevida de créditos e dos danos ambientais às margens do rio

15 Mai 2019 - 10:25
Atualizada em 15 Mai 2019 - 10:25

Após investigação do Ibama, empresa de Celulose perde selo mundial

Foto: Divulgação/Ascom Ibama.

A diretoria da FSC International (Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal) – sistema de certificação florestal de maior credibilidade internacional –, desassociou a Jari Celulose de seu grupo, após uma investigação sobre o envolvimento da empresa na extração ilegal de madeira e violação dos direitos de comunidades extrativistas no Pará e no Amapá. A divulgação foi feita no mês de abril no site da certificadora.

No outro documento  divulgado pela FSC sobre as investigações contra a Jari, a fraude consistia em apresentar informações falsas ao Sistema Florestal de Controle de Produtos do Brasil (SISFLORA), levando ao “comércio virtual” de 5.070.653 m³ de créditos florestais indevidos.

A Jari foi, portanto, considerada “cúmplice na lavagem de madeira, superestimando até 30% de seus volumes de madeira, levando a exceder os créditos florestais e a superexploração dos recursos florestais”, informa o documento. Além disso, a Jari comprou e colheu madeira de unidades de manejo florestal envolvidas em atividades ilegais e duvidosas de extração de madeira.

“Depois de analisar todas as evidências e realizar uma visita de campo e entrevistas detalhadas com as partes interessadas, o grupo determinou que a Jari estava envolvida na extração ilegal de madeira ou produtos florestais, e também falhou formal e consistentemente em reconhecer a existência de comunidades tradicionais dentro da área florestal, levando diretamente à violação dos direitos tradicionais e humanos nas operações florestais”, informa a FSC International em nota.

É a primeira vez que uma empresa é desassociada da FSC desde 2001, ano de instalação de um escritório no Brasil.

A FSC se baseou em uma investigação realizada em 2015 pelo Ministério Público Federal, a Polícia Federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) e a Justiça Federal sobre o envolvimento do Grupo Jari em um esquema de extração ilegal e fraude no estado do Pará. A FSC também fez visitas de campo às operações da empresa no Brasil. Realizaram entrevistas com representantes da empresa, e também com membros da comunidade afetados.

Segundo a FSC International a Jari Celulose não cumpriu os termos dos  acordos com as comunidades referentes ao reconhecimento dos direitos de posse e usou de violência contra membros da comunidade no processo de reivindicar e defender seus direitos de posse da terra.

Se a Jari Celulose quiser ligar-se à FSC International novamente terá que passar por um processo formal e demonstrar conformidade com as condições impostas pela certificação para acabar com a desassociação estipuladas pelo FSC.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, a empresa se defendeu dizendo que foi enganada por fornecedores de madeira, mas que respeita a decisão do FSC e que a empresa buscará obter novamente o selo, principalmente para a principal atividade, produção de celulose solúvel, que usa eucalipto plantado como matéria-prima.

O Eco

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