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‘Acordo entre China e EUA não trará problemas ao Brasil no curto prazo’

Especialistas reforçam que o tratado assinado nesta quarta-feira não significa o fim da guerra comercial; exportações brasileiras devem seguir aquecidas

16 Jan 2020 - 07:34

‘Acordo entre China e EUA não trará problemas ao Brasil no curto prazo’

Foto: Casa Branca/divulgação

A China se comprometeu a comprar US$ 50 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos. A assinatura da fase 1 do acordo comercial aconteceu nesta quarta-feira, 15, na Casa Branca.

Em contrapartida, os americanos devem suavizar as tarifas impostas nos últimos meses, mas manterão boa parte das sobretaxas, com a ameaça de uma punição extra caso o país asiático descumpra o que foi acordado.

O economista Carlo Barbieri afirma que a fase 1 não põe fim à guerra comercial entre China e Estados Unidos. “A disputa é muito mais estratégica do que comercial. Existem outros interesses em jogo, como o domínio do comércio mundial pela China através da logística”, diz.

Para o comentarista Benedito Rosa, o acordo assinado nesta quarta-feira não impactará, no curto prazo, o agronegócio brasileiro. “O acordo prevê que as exportações agrícolas alcançaram esse montante até o fim de 2021. No curtíssimo prazo, metade da safra de soja do Brasil já está vendida e as exportações de carnes continuam muito aquecidas. No geral, a trégua é boa para ativar a economia mundial, o que também beneficiará as exportações”, argumenta.

O campo pediu

A trégua foi fechada a dez meses das eleições presidenciais, que podem reeleger o candidato republicano. Os produtores rurais, eleitorado importante de Donald Trump, têm pressionado o governo por soluções para a guerra comercial.

Os agricultores do Meio-Oeste sofreram com a retaliação às tarifas impostas pelos EUA. O valor de produtos agrícolas exportados para a China caiu de US$ 19,5 bilhões em 2017 para US$ 9,2 bilhões em 2018.

Barbieri destaca que a China não deve fechar um acordo definitivo até a definição das eleições americanas. “É do interesse deles, assim como do Irã, que o Trump não vença, o que tornaria as negociações mais simples. Por outro lado, se notarem que ele será reeleito, devem assinar antes que ele se fortaleça”, analisa.

O comentarista Benedito Rosa afirma que a disputa entre americanos e chineses pela hegemonia do comércio continuará por vários anos. “A China tem muito claro que as exportações agrícolas são importantes para os Estados Unidos e por isso está fazendo concessões de forma lenta e gradual. Ela não fará grandes concessões, em volume, principalmente para carne de frango que os EUA têm disponível para expandir”, diz.

O que ainda está por vir?

O presidente Donald Trump afirmou que todas as tarifas devem ser retiradas na segunda fase do acordo, que deve acontecer “muito em breve”, e que espera que não seja necessária uma terceira fase.

“Analisando o histórico desta batalha comercial, é pouco provável que todos os acordos sejam firmados até lá. A meta do Trump é diminuir o déficit de comércio entre EUA e China de US$ 400 bilhões para US$ 200 bilhões. Esse acordo deve diminuir essa diferença de forma significativa, mas não chegará ao pretendido”, diz. Segundo ele, os americanos devem continuar pressionando e a China, cedendo.

 

Canal Rural

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