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Dólar opera em queda após novo recorde na véspera

Na quinta-feira, moeda dos EUA encerrou o dia cotada a R$ 5,8459, novo recorde nominal.

08 Mai 2020 - 08:54
Atualizada em 08 Mai 2020 - 08:54

Dólar opera em queda após novo recorde na véspera

Foto: Ilustração/Internet

O dólar opera em queda nesta sexta-feira (8), após bater novo recorde na véspera e fechar pela 1ª vez acima de R$ 5,80.

Às 9h01, a moeda norte-americana caía 0,40%, cotada a R$ 5,8226.

Na véspera, o dólar encerrou a sessão em alta de 2,51%, cotado a R$ 5,8459. Durante o dia, bateu R$ 5,8763 – nova máxima nominal (sem considerar a inflação) já registrada. O dólar turismo fechou a R$ 6,0535, sem considerar o IOF. Foi a primeira vez que a cotação de fechamento supera os R$ 6.

Na parcial da semana e do mês, o dólar acumula alta de 7,47%. No ano, o avanço chegou a 45,79%.

O que explica a alta

A alta do dólar na semana ocorre diante de um intenso desconforto no mercado local de câmbio ditado pela combinação entre juros cada vez mais baixos, economia em colapso e persistentes incertezas do lado político.

"O real vai continuar se depreciando em função de crises políticas que vamos testemunhar mais à frente e em tempos de crise de saúde e econômica", disse à Reuters Roberto Indech, estrategista-chefe da Clear Corretora.

"Acho que a grande questão é: qual o objetivo de um dólar a 6 reais? Qual o posicionamento da equipe econômica em relação ao pacote de ajuda a Estados e municípios? Esses fatores respondidos em conjunto pela equipe econômica poderiam dar alguma clareza e amenizar essa pressão no mercado de câmbio", acrescentou.

Antes dos mais recentes ruídos políticos, o câmbio já vinha se depreciando, sob pressão da queda constante dos diferenciais de juros entre o Brasil e o mundo. O Copom não apenas cortou a Selic além da magnitude de 0,50 ponto esperada por ampla parte do mercado como indicou possibilidade de outra flexibilização monetária nesse tamanho na próxima reunião do colegiado, nos dias 16 e 17 de junho. O juro básico caiu para 3%, nova mínima histórica.

Juros ainda mais baixos reduzem o diferencial de taxas entre o Brasil e o mundo, o que prejudica a competitividade do país em termos de atração de capital ávido por retornos, num momento em que mercados emergentes de forma geral sofrem fortes saídas de recursos por causa da crise do Covid-19.

Em 2020, o dólar já acumula avanço de impressionantes 45,53%. E apenas nas quatro primeiras sessões de maio acumula ganho de 7,4%.

De acordo com último boletim Focus do Banco Central, o mercado financeiro passou a projetar retração de 3,76% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2020. Já a previsão dos analistas para a taxa de câmbio no fim de 2020 subiu de R$ 4,80 para R$ 5 por dólar.

Cena externa

Lá fora, a sexta-feira era de viés positivo nos mercados em meio a sinais de melhoria nas relações entre Estados Unidos e China, dando uma nova dose de otimismo aos investidores, antes do relatório de empregos nos EUA, que deverá mostrar um aumento histórico no desemprego norte-americano devido aos bloqueios causados pelo coronavírus.

As principais autoridades comerciais dos EUA e da China discutiram a Fase 1 do acordo comercial nesta sexta-feira, e a China disse que concordou em melhorar a atmosfera para sua implementação. Isso oferecia algum alívio aos investidores preocupados com o aumento das tensões entre os dois países, depois que os EUA criticaram a abordagem adotada pela China diante do surto de coronavírus.

G1 Economia

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