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12 Ago 2019 - 09:51 | Atualizada: 12 Ago 2019 - 09:52

Ministra da Agricultura diz que país tem 'regras muito firmes' no registro de defensivos

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, reuniu a imprensa nesta semana para explicar o registro de agrotóxicos no país. No encontro, ela rebateu as críticas de que o governo estaria trabalhando para enfraquecer o controle desses produtos no país.

"O Brasil tem regras muito firmes, aliás o Brasil é o único país do mundo que tem uma lei que, que para se aprovar um novo pesticida, um novo registro, ele tem que ser menos tóxico dos outros que já estão em uso no mercado", explicou Tereza.

Desde o começo de 2019, o governo liberou o registro de 262 agrotóxicos. A maioria dessas autorizações são para pesticidas genéricos, ou seja, de produtos que já estão no mercado. Desse total, 7 defensivos são novos.

O secretário de defesa agropecuária do Ministério da Agricultura, José Guilherme Leal explica que os registros dos genéricos ajudam a baixar o preço dos pesticidas no mercado, dando mais competitividade ao produtor.

"Geralmente, esses produtos novos são mais eficientes, são menos tóxicos, têm menos impacto para o meio ambiente e aumentam a possibilidade do manejo de pragas do produtor", disse Leal.

O ministério também rebateu afirmações que apontam que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. O governo admitiu que, em números absolutos, o dado é verdadeiro. Porém, afirma que, ao levar em conta a área plantada, o país não é líder no uso de pesticidas.

No argumento do ministério, utilizando números da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), a comparação de agrotóxicos usados por hectare plantado, o país ocupou, em 2016, a 44ª posição. De acordo com este levantamento, o Brasil usou menos defensivos que países como Holanda, Itália e Portugal.

O governo chamou para o encontro com a imprensa pesquisadores de universidades, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

No encontro, o pesquisador Caio Carbonari, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), disse que não é possível fazer uma comparação simples entre defensivos que são autorizados no Brasil e que não têm autorização em outros países.

"Fala-se em produtos banidos na Europa que continuam em uso aqui. Na grande maioria dos casos, são produtos em que não há interesse de uso na Europa. Pontualmente, pode ter algum produto que foi de fato excluído do mercado por algum problema toxicológico ou pela dinâmica ambiental", afirmou.

Reclassificação

A reclassificação de agrotóxicos também foi debatida. Desde que o novo marco regulatório entrou em vigor, mais de 600 produtos que estavam na classificação máxima mudaram de categoria.

"Nós saímos de 4 classes para 6 classes, isso significa dizer que o agricultor vai ser melhor comunicado, a gente vai conseguir dizer para o agricultor exatamente para aquele produto qual é o risco que ele está sujeito", explicou o diretor da Anvisa, Renato Porto.

Para Tereza Cristina, a mudança vai ser positiva para os aplicadores de agrotóxicos, especialmente os pequenos produtores, que não têm mão de obra para pulverizar os pesticidas.
 
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